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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Resposta à questão da Tutora Patrícia em seu comentário na minha postagem "Letramento": " O que há em outros autores para sustentar sua argumentação?"

Freire, Tfouni, Peixoto e Kleiman ajudam-me a sustentar minha argumentação.


“O professor volta a ser o profissional que decide sobre um curso de ação com base em sua observação e seu diagnóstico da situação. É ele que deverá decidir questões relativas à seleção dos materiais, saberes e práticas que se situam entre o local, o aplicado e o funcional à vida dos alunos e da comunidade e o socialmente relevante, que um dia poderá ser utilizado para melhorar o futuro do próprio aluno e de seu grupo.”( Kleiman, p. 6, O conceito de letramento e suas implicações para a alfabetização)

Peixoto (et al, 2004) sobre o papel do "professor-letrador", ao analisar a prática do letramento pelo professor, destacou as seguintes ações de um professor-letrador:


1) investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno, adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados;
2) planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la;
3) desenvolver no aluno, através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade;
4) incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita, de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa, já que a linguagem é interação e, como tal, requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam;
5) recognição, por parte do professor, implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico, e respeitar, acima de tudo, esse conhecimento;
6) não ser julgativo, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade, atentando-se para a pluralidade de vozes, a variedade de discursos e linguagens diferentes;
7) avaliar de forma individual, levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo;
8) trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar;
9) ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem, ser professor aprendiz tanto quanto os seus educandos;
10) reconhecer a importância do letramento, e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo, baseados na descontextualização.

Assim tenho procurado realizar minha proposta pedagógica como alfabetizadora da rede pública.

Compactuo com a visão de Paulo Freire:

"Aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade”. (Paulo Freire)

... e com a perspectiva de Tfouni:


“Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade.” (1995, p. 20).

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Letramento

Letramento é um vocábulo novo, aparecendo pela primeira vez no livro de Mary Kato "No mundo da escrita:uma perspectiva psicolinguística", em 1986. Depois, em outras obras de outros autores, surgindo, assim, essa palavra no mundo da Educação.
O vocábulo "LETRAMENTO" emerge de uma nova necessidade, um fenômeno, que acredito eu, sempre existiu, mas que até o final da década de oitenta não lhe dávamos tanta importância.
Letrada é a pessoa que, além de saber ler e escrever, utiliza com frequência e competência a leitura e a escrita. O letrado tem uma outra condição social e cultural, isto é, transforma seu modo de viver em sociedade, está incluído na cultura, no contexto, no mundo.
Por exemplo um adulto analfabeto tem uma linguagem oral , mas após aprende a ler e a escrever passa a expressar-se oralmente de forma diferente, sendo evidente que, ao conviver com a língua escrita, consegue obter mudanças importantes na sua fala, nas estruturas linguísticas e no enriquecimento de seu vocabulário.
O letramento não diz respeito somente ao aprender a ler e escrever (decodificar letras e numerais), mas ao uso eficiente da leitura e da escrita. A ação de aprender as práticas de leitura e escrita é consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais, isto é, assumindo a escrita e a leitura como sua "propriedade".
Um sujeito alfabetizado não é, necessariamente, letrado, porque o sujeito que é letrado não somente lê e escreve, mas sabe usar competente e socialmente a escrita. Letramento, portanto, é um estado, uma condição de interação com diferentes tipos e gêneros de leitura, com diversos portadores de textos, com as diferentes especificidades que a leitura e a escita desempenham na vida e no cotidiano das pessoas.
À medida em que a sociedade vai se tornando grafocêntrica (centrada na escrita) um novo fenômemo descortina-se: não basta apenas ler e escrever, a pessoa deve ter competência para utilizar a leitura e a escrita, incorporando-as às suas práticas sociais: saber encontrar-se em um livro; achar uma palavra no dicionário; localizar-se num mapa; utilizar o "classificados" de um jornal; escrever um bilhete, um telegrama, uma declaração; preencher um formulário; usar uma lista telefônica; pegar um ônibus que não seja o seu de costume, etc.
A interdisciplina "Linguagem e Educação", estudada no EixoVII deixou-me bem claro, enquanto professora alfabetizadora, que o ideal pedagógico está em alfabetizar letrando, ensinando a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, tornando o aluno alfabetizado e letrado, constituído de uma série de habilidades, comportamentos, conhecimentos no que diz respeito à leitura e à escrita, à interpretação, à comunicação, à expressão.
"Não adianta simplesmente letrar quem não tem o que ler nem o que escrever. Precisamos dar as possibilidades de letramento. Isso é importante, inclusive, para a criação do sentimento de cidadania nos alunos."(Magda Soares)
Com essa finalidade, proporciono ao meu aluno o convívio num ambiente escolar letrado, tendo acesso a vários livros, revistas, jornais, tipos de textos, à feira do livro, à museu, ao Laboratório de Informática. Notificadamente, como uma necessidade, porém permeada de ludicidade e alegria.

“Alfabetize letrando sem descuidar da especificidade do processo de alfabetização, especificidade é ensinar a criança e ela aprender.O aluno precisa entender a tecnologia da alfabetização. Há convenções que precisam ser ensinadas e aprendidas, trata-se de um sistema de convenções com bastante complexidade. O estudante (além de decodificar letras e palavras) precisa aprender toda uma tecnologia muito complicada: como segurar o lápis, escrever de cima pra baixo e da esquerda para a direita; escrever numa linha horizontal, sem subir ou descer. São convenções que os adultos letrados acham óbvias, mas que são difíceis para as crianças. E no caso dos professores dos ciclos mais avançados do ensino fundamental, é importante cuidar do letramento em cada área específica.” (Magda Soares)