domingo, 18 de maio de 2008

Minhas considerações e reflexões sobre o livro "Pedagogia da Autonomia" de Paulo Freire





É um privilégio ler as sábias, atuais e relevantes palavras do educador, filósofo e ativista Paulo Freire. Já li, do mesmo autor, "Medo e Ousadia". Reli esse livro "Pedagogia da Autonomia".
Paulo Freire é um dos nomes mais importantes da educação e da política brasileira. Reconhecido em todo o mundo.
Em seu livro "Pedagogia da Autonomia" tive a oportunidade de ler sua dura crítica a esse sistema que alimenta a existência de milhões de pessoas em situação de miséria em contraste vergonhoso com a abundante riqueza de uma minoria.
A ética e democracia são conceitos muito bem articulados por ele nesse livro, mostrando-os como elementos libertários importantes e essenciais para o nosso povo e para a educação no Brasil.
Freire, majestosamente, nos leva, através de seu texto, a uma perspectiva de liberdade, autonomia, amor, sonho e paixão, mostrando-nos "o homem como ser incompleto e inacabado". "Um sonhador que tem direito a sonhar- um sonho que nunca se conclui." Esse homem, esse sujeito que reelabora e transforma o mundo, construindo o possível, que antes era considerado impossível.
Aborda uma educação que liberta através da coscientização crítica, do respeito às diferenças individuais e culturais, mostrando seu repúdio à opressão e à indignidade impingida ao homem.
Apresenta a reflexão crítica e a conscientização que vêm da comunicação dialógica e da interação da sociedade. O homem buscando sua identidade e sua autonomia, também na educação, o entendimento que tem de si mesmo na sua caminhada histórica, projetando-se no seu tempo e no seu espaço, percebendo as várias transformações ocorridas em seu meio nessa caminhada.
Mostra, também, que o processo de opressão é modificado a passos lentos e dolorosos, pois mexe com as estruturas do poder e remete-nos a refletir sobre o nosso pensamento e idéia sobre educação. O pensar no coletivo, no bem comum.
O homem, segundo Paulo Freire, é cidadão do mundo, devendo transformar-se num novo homem através da educação, que é capaz de usar a palavra e o letramento para pensar em si e no seu papel transformador dentro da sociedade.
Somente, conseguir-se-á chegar a esse patamar por meio de uma educação emancipatória
e inclusiva, que respeita a cultura que o aluno traz para a escola, porque a pedagogia não deve ser elaborada para o homem, mas, sim, a partir dele.
Chamou-me a atenção, a ênfase que o autor dá à trilogia:afetividade, competência e autoridade na relação professor/aluno e à necessidade de atualização do profesor, estando aberto à mudanças.
Senti, através da leitura, a minha responsabilidade e o meu compromisso, enquanto cidadão e educador das novas gerações, na busca dessa mudança.
Freire realça que ensinar, não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou para a sua construção.
Devo respeitar o senso comum, comprometendo-me com a consciência crítica do meu aprendiz, estimulando a sua e a minha curiosidade.
Afirma, também, ser imoral que os interesses do poder e do mercado tenham prioridade aos interesses dos seres humanos.

"Se há uma prática exemplar como negação da experiência formadora é a que dificulta a curiosidade do educando e, em conseqüência, a do educador. É que o educador que, entregue a procedimentos autoritários ou paternalistas que impedem ou dificultam o exercício da curiosidade do educando, termina por igualmente tolher sua própria curiosidade. Nenhuma curiosidade sustenta eticamente no exercício da negação da outra curiosidade.(...) O bom clima pedagógico-democrático é o em que o educando vai aprendendo à custa de sua prática mesma que sua curiosidade como sua liberdade deve estar sujeita a limites, mas em permanente exercício. Limites eticamente assumidos por ele. Minha curiosidade não tem o direito de invadir a privacidade do outro e expô-la aos demais. Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino."(Paulo Freire, p.85)


Minhas reflexões, a partir dessa leitura:
* Estou aberta às mudanças necessárias para a Educação hoje?
* Como estimulo a minha curiosidade e a minha consciência crítica e a do meu aluno?
* Promovo esse debate crítico e dialógico em minha sala de aula, entre os pais e colegas de escola?
* Sou, antes de ser professora, uma cidadã preocupada e comprometida com o coletivo e com a transformação dessa realidade que muitas vezes me oprime e me degrada?
* Sou um pesquisador: procuro, busco, indago?
*Respeito o senso comum promovendo sua necessária superação?
* Como educadora, comprometo-me com a consciência crítica do educando?
*Discuto em aula, com meus alunos seus saberes em relação com os conteúdos estudados?
*De que forma, essa leitura provocou em meu ser professor e cidadão uma boa mudança em minha prática social e pedagógica?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Estimulando a curiosidade infantil


A criança é naturalmente curiosa, tem vontade de saber, conhecer, buscar além do que já sabe.Eu Preciso ter coragem, sensibilidade e humildade, como professora, para ouvir meu aluno falar, perguntar, questionar, duvidar, sem medo de ouví-lo colocar em debate os meus saberes.
Devo deixar meu aluno falar, questionar, proporcionando-lhe momentos de dúvidas e de descobertas. É minha função instigar o seu desejo de aprender, mostrando-lhe que não sou o único detentor do saber e que há outras fontes onde buscar esse saber.
É agradável e divertido aprender e ensinar num ambiente invadido pela curiosidade infantil e pela oportunidade que temos de ouvir o conhecimento que o aluno traz para a escola.
Para que isso aconteça é necessário que tenhamos ousadia e liberdade de alçarmos vôos mais altos, além das grades curriculares permitindo ao nosso aluno ser o sujeito ativo e presente em sua aprendizagem.
Ouvindo as perguntas do meu aprendiz, como professor, tenho a oportunidade de conhecer meus limites, vendo que também tenho muito a aprender, pois sou um cidadão que, também, aprende no momento em que ele pergunta, buscando a resposta junto com ele.
Para podermos alcançar o conhecimento é um grande pré-requisito sermos curiosos.
Um Ensino Fundamental que promove a curiosidade infantil contribui para que o conhecimento, a educação, a ciência, a tecnologia, a consciência ambiental façam-se presentes em nossa sociedade. Nunca esquecendo de que o afeto e aprendizagem caminham juntos, ou melhor, a aprendizagem não se dá sem a afetividade, sem o calor humano, sem alma, sem paixão.
O professor precisa alimentar a sua própria curiosidade, para estar sempre se atualizando, buscando com seu aluno as respostas para esses questionamentos com a plena certeza de que as verdades não são absolutas e inquestionáveis.
A sociedade evolui através da criança que hoje pergunta, que cria, reinventa e não se conforma com uma realidade que a castiga e a degrada.

"O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Todas as percepções são, ao mesmo tempo, traduções e reconstruções cerebrais com base em estímulos ou sinais captados e codificados pelos sentidos. Daí resultam, sabemos bem, os inúmeros erros de percepção que nos vêm de nosso sentido mais confiável, o da visão. Ao erro de percepção acrescenta-se o erro intelectual. O conhecimento sob forma de palavra, de idéia, de teoria, é o fruto de uma tradução/ reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e, por conseguinte,está sujeito ao erro. Esse conhecimento, ao mesmo tempo tradução e reconstrução, comporta a interpretação, o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor, de sua visão do mundo e de seus princípios de conhecimento. Daí os numerosos erros de concepção e de idéias que sobrevêm a despeito de nossos controles racionais. A projeção de nossos desejos ou de nossos medos e as perturbações mentais trazidas por nossas emoções multiplicam os riscos de erro.
Poder-se-ia crer na possibilidade de eliminar o risco de erro, recalcando toda a afetividade. De fato, o sentimento, a raiva, o amor e a amizade pode nos cegar. Mas é preciso dizer que já no mundo mamífero e, sobretudo, no mundo humano, o desenvolvimento da inteligência é inseparável do mundo da afetividade, isto é, da curiosidade, da paixão,que, por sua vez, são a mola da pesquisa filosófica e científica. A afetividade pode asfixiar o conhecimento, mas pode também fortalecê-lo. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída, ou mesmo destruída, pelo déficit de emoção; o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais." (Edgar Morin,p. 20, Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro)

"A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e a mais viva durante a infância e a adolescência, que com freqüência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar." (Edgar Morin, p.39, Os Sete Saberes necessários à Educação do futuro)

domingo, 4 de maio de 2008

Minhas Reflexões sobre Meio Ambiente nas Séries Iniciais


O professor das séries iniciais deve criar na escola um ambiente próprio para lidar com as questões ambientais, onde todos sejam envolvidos: professores, alunos,pais, equipe diretiva e pedagógica, funcionários, comunidade. É importante abordar em aula os grandes problemas ecológicos mundiais, mas nunca esquecendo de tratar as dificuldades ambientais vividas na escola, em nossa casa, na rua, na cidade, procurando investigar com as crianças onde estão e quais são suas causas.
Na escola, devemos promover importantes discussões desses problemas ambientais que existem em nosso entorno com a participação de todos e o que podemos fazer de concreto para solucioná-los. Uma experiência baseada nessas necessidades cotidianas do aluno, inseridas em nossa ação pedagógica e cidadã.
A ecologia na escola é um trabalho reflexivo diário que ecoará na vida toda da criança.
Questões para reflexão:

*Qual é o trabalho interdisciplinar, pedagógico, político e cidadão que realizo sobre o Meio Ambiente com as séries iniciais?
*Meu trabalho prega a transformação da realidade ou reproduz a ocupação e a opressão do poder?
*Conheço os problemas ambientais enfrentados por meu aluno ou por minha escola?
*De que forma ajudo minha comunidade escolar a enfrentar esses problemas, buscando saídas para solucioná-los?

"O Universo caminha não para a morte, mas para ordens cada vez mais elevadas de vida, e o ser humano é chamado a adotar posturas de colaboração e solidariedade, capazes de garantir o futuro do nosso planeta." (Teólogo Leonardo Boff)

domingo, 27 de abril de 2008

Multiplicação e Divisão




MULTIPLICAÇÃO(PROPORCIONALIDADE):


Faria uma atividade usando três tabelas assim identificadas LEI DO 2, LEI DO 3, LEI DO 4. Colocaria na primeira coluna da primeira tabela o desenho do pratinho de sobremesa usado em aniversário, que eu uso há muitos anos para montar com eles as tabuadas. Na segunda coluna, da mesma tabela colocaria o desenho de dois palitos, número de palitos amarelos(unidades) que poderiam ser colocados em cada pratinho. E diria que na LEI DO DOIS só aumentaria o número de pratinhos(um a um) e sempre seria dois palitos de picolé em cada pratinho. Eles colocariam o total de palitos amarelos obtidos na contagem dos palitos ao lado de cada numeral que representa o número de pratos. Assim seria feito na tabela da LEI DO TRÊS(três palitos amarelos) e na tabela da LEI DO QUATRO(quatro palitos amarelos).


Quando chego nesse tipo de atividade de multiplicação com meus alunos, eles já sabem que ao conseguirem a soma de 10 palitos amarelos já trocam por 1 palito azul(dezena). Representam, então, após as devidas trocas, o numeral correspondente, por exemplo, assim 15 ( 1 dezena e 5 unidades) ou 21( 2 dezenas e 1 unidade).





DIVISÃO:


Certa vez, em minha escola, dada a dificuldade que as crianças apresentavam em divisão na 2ª série, algumas colegas achavam viável não trabalhá-la mais nas séries iniciais(1º e 2º).

Defendi, nessa oportunidade, que a dificuldade não estava na criança e sim no professor em desenvolver uma metodologia que facilitasse a construção do conhecimento da criança na operação de divisão nas séries iniciais. Essa prática pedagógica do professor deve promover a criatividade do aluno, levando-o a buscar saídas próprias para solucionar os problemas.

A criança soluciona com certa facilidade os problemas matemáticos que envolvem uma só operação, apresentando uma certa dificuldade em resolvê-los quando envolvem mais de uma operação.

Fatores que podem contribuir para aumentar essas dificuldades:

-Os problemas usados em sala de aula podem estar fora da realidade da criança;

-Falta de compreensão das proximidades que cada peração pode ter com a outra;

-A ênfase que o professor dá a um único tipo de solução, sem questionar a maneira que a criança pensa e o mais importante, sem socializar as várias formas encontradas em aula.

Acredito que nós professores tenhamos que confiar na capacidade cognitiva do aluno, colocando em nossa prática matemática uma boa pitada de paciência e sensibilidade. A matemática não é feita só de numerais. Afinal, estamos lidando com seres humanos, que tem o seu ritmo e seu jeito próprio de raciocinar e que possuem muito tempo pela frente.

Devemos ser mediadores e não pretensos detentores do saber. Muitas vezes, o próprio aluno nos mostra o caminho pedagógico que devemos seguir para construir seu conhecimento.

Quando lecionava na segunda série, trabalhava a divisão usando palitos de picolé, começando com os amarelos(unidades) em pratos plásticos de sobremesa de aniversário infantil.

Dizia a eles que deveriam dividir, repartir, distribuir a quantidade estabelecida em partes iguais. Um pratinho não podia receber mais do que o outro. Partia de uma história matemática simples:

"Mamãe fritou 8 bolinhos de chuva. Ela repartiu esses bolinhos em partes iguais entre seus 3 filhos.

Para cada filho mamãe deu...bolinhos. Quantos bolinhos mamãe não pôde dar? ... Por quê?............."

Ensino-os a fazer a frase matemática ( faço isso ao trabalhar todas as operações). Uso muito giz colorido e eles as canetinhas azuis e amarelas para os devidos registros. Parto do princípio, que já dominam unidades e dezenas e suas devidas trocas na base 10.

Fazia-os trabalhar em grupos de 4 elementos, porque assim as crianças socializam suas dúvidas e aprendizagens, sempre com a minha mediação. Sempre procuro estar atenta.

Cada grupo lançava mão dos 8 palitos amarelos(bolinhos) e 3 pratinhos de sobremesa(filhos).

E começavam a repartí-los igualmente um a um. Questionava-os:

-Quantos bolinhos ganhou cada filho?

-Quantos bolinhos a mãe não pôde repartir?...Por quê?

-No total, quantos bolinhos os filhos ganharam juntos?

-Se mamãe tinha 8 bolinhos e deu somente 6 bolinhos para seus filhos, quantos bolinhos restaram?...Por quê?...

-Vamos, agora, desenhar o que fizemos. Podem desenhar palitinhos e pratinhos ou bolinhos e filhos. Depois vamos juntos completar a frase matemática.



Após os devidos registros ou desenhos, continuava o questionamento:



-Nos pratinhos havia algum palito azul? Por quê?

-Não havia dezenas para dividir, prô Rose.

-Se dois bolinhos não foram repartidos, como chegamos a esse resto? (Deixar que socializem suas hipóteses no grupo).



Após alguns anos trabalhando assim com alunos de 2ª série posso dizer:

-Essa noções devem ser tratadas com paciência e de modo prazeroso para que as crianças não percam o interesse e o foco.

-Ela deve ser parte integrante e pensante desse processo.

-Aquilo que não pôde ser alcançado, hoje, pode tranqulamente ser o ponto de partida de amanhã.



"...os erros podem informar tanto a respeito das dificuldades que um aluno apresenta para dominar procedimentos técnicos ou estratégicos, como o tipo de teorias ou crenças com as quais ele lida em determinado momento." (Pozo, 1998mp.65)



Trabalho a divisão durante muito tempo somente através das frases matemáticas, dismistificando o uso do resto, fazendo-os entendê-lo através da subtração. Levo algum tempo nesse processo para começar a armação da divisão em si.



"...ninguém pode aprender da experiência do outro, a menos que essa experiência seja de algum modo revivida e tomada própria." (Bondía, 2002, p. 27)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Atividade de Ciências













Realizei a atividade 1 da interdisciplina Representação do Mundo pelas Ciências Naturais com meus alunos de 1º ano, entre 6 e 7 anos, com o modelo que me foi cedido pela colega Sabrina Voltz, com algumas alterações, pelos seguintes motivos:
- Troquei palavras por serem muito complexas para crianças dessa idade;
-Diminuí a quantidade das mesmas porque nessa idade seu poder de concentração e interesse não é muito longo;
-Realizei essa atividade desacomodando-os de seus lugares, já que se sentam juntos de cinco em cinco em mesas redondas e não queria que tivessem a facilidade de olhar a folha do outro, o que costumam fazer com alguma freqüência. Queria que fosse o mais individual possível, como pediu-nos o Professor Edson na aula presencial.
Representaram semelhantemente as palavras: casa, pé, coração e sono. Tiveram dificuldade de representar raiva, fome e dinheiro. Alguns desenharam alegria expressada pela Hora do Brinquedo Livre na escola. Uns poucos representaram o dinheiro com uma caixinha cheia de moedas. Acredito que seja a influência da “Caixinha” de doações em dinheiro que os pais fazem para nossa sala de aula para fazermos os nossos passeios pedagógicos. Essa caixinha fica no armário de nossa sala e eles adoram saber que estão contribuindo para esses passeios. Muitos deles desenharam a água em forma de chuva, porque há algum tempo atrás estudamos sobre o prejuízo da seca em nossa cidade, a importância das chuvas regulares e os cuidados que devemos tomar, depois de um dia de chuva, com o pátio de nossa casa e escola para que evitemos os criadouros de larvas do Aedes Aegypti (Mosquito Transmissor da Dengue).
Com essa atividade pudemos refletir que as palavras podem ter muitas representações e que os elementos podem ser percebidos por vários pontos de vista, opiniões, vivências e por influência do meio.
“A articulação social da diferença, da perspectiva da minoria é uma negociação complexa, em andamento, que procura conferir autoridade aos hibridismos culturais que emergem em momentos de transformação histórica.” (Homi Bhabha)
Foi importante oportunizar às crianças a expressão de suas representações e saberes sobre o mundo, a natureza, a vida para que pudesse desacomodá-los, problematizando seus saberes e pontos de vista, promovendo novas vivências, informações e observações aumentando seus conhecimentos, partindo sempre de sua ótica inicial. É um ótimo exercício onde podemos repensar e resignificar esses conceitos. É uma maneira, também, de reinventar questionamentos sobre conceitos que até então pareciam óbvios,inquestionáveis.
“...aceitar que não vai haver certezas, que vivemos na e com a contingência, não representa uma perda, pois as promessas da certeza eram, desde o início, irrealizáveis.” (B. Smart)
A presença da certeza, do previsível denota a eliminação da novidade, do reinventar, do criar.
Concluo esse relatório, após tudo o que li até agora nessa interdisciplina, dizendo que, o ensino das Ciências deve ser por nós trabalhado de forma interdisciplinar, não para contrariar a própria Ciência e seus conceitos, mas para valorizar, respeitar e conhecer outros pensamentos e culturas que nos ajudarão brilhantemente na busca da preservação de nosso ambiente e na viabilidade de uma vida possível no futuro do Planeta Terra.

domingo, 20 de abril de 2008

Números e operações

Os números organizam nossa vida pessoal, econômica e social.Nossa gestação é marcada em semanas, meses representados por numerais. Tem números em nossa Certidão de Nascimento, em nossa Carteira de Identidade, Título de Eleitor, endereço, telefone, etc. Estudamos em séries, anos ou ciclos simbolizados por numerais.E tem mais: número de nossa conta bancária, senha de plano de saúde, para ter acesso ao rooda, para entrar no nosso e-mail,...Para podermos vestir nossas roupas e calçados na medida certa, também são numeradas.Regramos e ordenamos nosso dia pelo calendário, pelo relógio, que também possuem números.Poderia continuar relacionando enes situações em que os números nos acompanham e seria uma listagem infindável.
Costumo, além de outras maneiras e materiais, construir com meus alunos os numerais usando palitos amarelos (unidades) e azuis(dezenas). É um material barato, que já tem para vender nas lojas de R$ 1,99 e nas papelarias e pode-se pedir que os pais adquiram. Até a própria escola, pode comprá-lo e fornecê-lo aos seus profesores.
Como trabalhava com 2ª série dos 8 anos, trabalhava, também, a construção de numerais com centena com palitos vermelhos. Depois de formar numerais com esses palitos e realizando as devidas trocas na base 10, partia para as operações usando esses mesmos palitos, convencionados com essas cores.
Trabalho com esses palitos desde 1997, quando me deparei com uma 4ª série com muitas dificuldades para entender os numerais e sua construção, bem como com as quatro operações. Não sei se estou fazendo certo, se esse material é válido. O que eu sei é que está dando certo. Não só o material em si mas a condução desse trabalho e seus resultados na construção do conhecimento da criança.
Há dez anos que meus alunos não são reprovados em matemática, por entenderem muito bem essa proposta, mesmo alunos com deficiência mental leve, sem outros comprometimentos mais graves. Levei esse material para outras colegas. Hoje, a maioria dos professores das séries iniciais(1ª a 3ª) de minha escola adotaram esse material e essas atividades. Desenvolvo oficinas com meus colegas nas reuniões pedagógicas. Espaço proporcionado pela direção e supervisão da escola que viu e comprovou os bons resultados. E uma colega vai enriquecendo o trabalho da outra com palitos com novos jogos, com novas atividades, com outros pontos de vista e estratégias eficientes.
Tive a grata oportunidade de apresentar esse material para outros professores numa das oficinas do II Encontro Internacional de Educação de Gravataí. Também, em algumas escolas da rede( E M.Cecília Meirelles, E M. Ladislau de Oliveira Nunes,Cincinato Jardim do Vale).Nesse ano estou com duas turmas de 1º ano e estou formando numerais de 0 a 9 com eles, seus materiais, seus brinquedos, blocos lógicos e chegarei nos palitos assim:Apresentarei os palitos amarelos como "UNIDADES" que podemos contar de uma a uma. Mostro cartões com os numerais de 0 a 9 em cor amarela e peço que, em duplas montem esses numerais, no chão, usando esses palitos amarelos (unidades).PERGUNTO:

-Quantos palitos amarelos vocês usaram para fazer o 3? Quantas unidades tem o 3, então?
-Quantos palitos amarelos usaram para fazer o 5? Então, o 5 tem quantas unidades?
-Se eu juntar os 3 palitos amarelos do numeral 3 e os 5 palitos amarelos do numeral 5, que numeral eu formo?


Depois distribuo uma folha com os numerais trabalhados com o desenho de 9 palitos ao lado de cada um. Solicito que pintem de amarelo os palitos utilizados para representar cada numeral. Sempre faço essa construções em ordem crescente ou decrescente para dar uma idéia de gráficos simples para os alunos.PERGUNTO:

-Em qual numeral eu usei mais palitos amarelos, mais unidades?
-Em qual numeral eu usei menos palitos amarelos?
-Por que no numeral 0 (zero) não usamos palitos amarelos, unidades?
-Quantas unidades podemos juntar para formar o numeral 10?

Após vários dias de atividades, quando sentir que estão preparados, direi que sempre que tiverem 10 palitos amarelos(unidades) podem trocar por 1 palito azul, que se chama "dezena".PERGUNTO:

-Onde foram parar os dez palitos amarelos que foram trocados pelo azul(dezena)?
-Não existem mais?
-Existem, sim, Prô, estão dentro do palito azul.
-É como se tivéssemos colocado todos os dez palitos amarelos dentro dele.

Parto, então, para o montar e desmontar amarelos(unidades) e azuis(dezenas).Por exemplo:Montem o numeral 13 somente com palitos amarelos. Se conseguirem dez amarelos(unidades) nesse numeral podem trocar por um azul(dezena).Alguns entram em conflito "o que fazer com os 3 palitos amarelos que sobraram?" Nessas ocasiões costumo devolver a pergunta para o grande grupo. Sempre tem um espertinho que colabora com a aprendizagem do outro e isso é muito socializador, hipotético, facilitando eficientes conclusões.PERGUNTO:

-Como conseguiu esse palito azul( dezena)no numeral 13 , Monryque?
-Por que eu contei dez palitos amarelos, Prô.-Onde estão os dez palitos amarelos (unidades) do numeral 13, Renata?
-Estão dentro do azul.
-Por que você não trocou esses 3 amarelos por um azul, Erick?
-Só posso trocar por um azul quando eu tenho dez amarelos, Prô.
-Como podemos representar o numeral 13, depois da troca, Paula?
-Eu desenhei o 13 com meus palitinhos assim: 1 azul 3 amarelos( 1 dezena e 3 unidades)

É importante que a criança tenha a oportunidade de montar e desmontar esses numerais com os palitos.É muito bom que a criança represente esse montar e desmontar através de pintura de palitos ou o seu desenho, também, após as trocas. São excelentes exercícios de composição e decomposição. É uma forma de expressar seu entendimento.



quinta-feira, 10 de abril de 2008

Estudos Sociais nas Séries Iniciais


Como professora de Estudos Sociais, em minha prática pedagógica, após anos de magistério, cursos de formação, leituras importantes e durante o PEAD apreendi que essas aulas não podem ser repetitivas e enfadonhas, devendo partir do conhecimento que o aluno traz de seu berço familiar e social, de suas vivências, de seus interesses e de suas necessidades para que haja significado e uma construção efetiva de conhecimento.
Em meu trabalho atual com o 1º Ano dos nove Anos, procuro partir do próprio aluno, da família onde está incluído, resgatando e respeitando a sua origem, a sua história, até aqui constituída, sua memória individual, familiar, escolar e coletiva.
É muito significativo e emocionante para a criança pesquisar e conhecer fatos de sua própria vida, que, por incrível que possa parecer, muitas delas desconhecem. Depois, parto para estudar a escola, o bairro, a cidade, o país, até o mundo e sua ação nesse contexto.
Por exemplo, construirei com eles e a ajuda da família uma caixa com suas memórias: fotos, certidão, carteira de vacina, umbigo, documento do hospital, roupinhas, chupeta, etc. Exploraremos e socializaremos essas memórias na rodinha. Poderei chamar algum familiar para ser entrevistado. Poderemos construir também textos cooperativos sobre suas vivências comuns (A professora escreve o texto enquanto não estão alfabetizados), livrinhos sobre sua história desde o seu nascimento até sua escolarização, bem como muitas outras atividades, envolvendo suas famílias.
Em minha opinião, levar mapas para a sala de aula, Atlas, globo, estudar planta baixa da sala, do seu quarto, sair pelas ruas que cercam a escola, vendo o nome de suas ruas e conhecendo seus estabelecimentos comerciais e de lazer, as residências, seu povo, seu modo de vida, suas diferenças e semelhanças, comparando com outros povos e culturas, também é um exercício social e cidadão que colabora com o letramento de meus alunos.
É importante que a criança conheça, também, o seu passado, o antigo, bem como o caminho da evolução e da modernidade, para entender e questionar o porquê de algumas coisas e de alguns acontecimentos.
Passeios a espaços de cultura e história como museu, casa de cultura, teatro, feira do livro devem fazer parte de um planejamento cheio de intenções, bem realizado, flexível, instigando a curiosidade e a emoção da criança, para que entenda porque está ali e para onde está indo.

“Num mesmo movimento que o homem se historiza e busca ser livre. Não tem a ingenuidade de supor que a educação, só ela decidirá os rumos da história, mas tem, contudo, a coragem suficiente para afirmar que a educação verdadeira conscientiza o mundo humano, sejam estruturais, superestruturais ou interestruturais, contradições que impelem o homem a ir adiante. Um método pedagógico da conscientização alcança as últimas fronteiras do humano.” (Fiori, 1972)




Tenho consciência do meu papel social como educadora, como sujeito, também, fruto de uma caminhada histórica, inserida nesse contexto social e cultural que é a escola. Estou aqui para ajudar as novas gerações a conhecer criticamente o mundo em que estão vivendo, de sua consciência histórica e social e de sua capacidade cidadã e incontestável de transformá-lo.
O professor deve proporcionar a participação efetiva das famílias de nossos alunos, bem como outras participações pertinentes que agregariam valor a esse processo.
Resgatando a história do lugar onde o aluno mora e/ou estuda é um rico instrumento de valorização de sua auto-estima e de sua humanização.
Nesse processo integrador não podemos desvincular os Estudos Sociais de outras leituras, de outras disciplinas para poder oportunizar que o aluno construa conceitos básicos como: espaço, tempo, identidade e acontecimento histórico.
Se fragmentarmos o ensino de Estudos Sociais corremos o risco de continuarmos alienando-o de sua própria história.

Nosso planejamento deve ser flexível, tem que saber a que veio e para onde vai, como processo integrado à vida e à cidadania para a construção de um mundo melhor para todos.


“As chamadas minorias, por exemplo, precisam reconhecer que no fundo, elas são a maioria. O caminho para assumir-se como maioria está em trabalhar as semelhanças entre si e não só as diferenças e assim criar a unidade na diversidade, fora da qual não vejo como aperfeiçoar-se e até como construir-se uma democracia substantiva e radical.” (Paulo Freire, 1992)

“A cidadania é uma invenção coletiva. Cidadania é uma forma de visão do mundo.” (Paulo Freire)